10.4.21

O cronista na pandemia

A crônica, depois de pronta, pede pouco espaço, um cantinho de jornal, se muito um byte de um site, não mais que isso. Sua escrita, no entanto, requer amplidão.

O cronista bate pé pelas ruas e à tarde se senta num boteco fuleiro ou chique, na companhia de gente simples ou daquela meia dúzia de cabeças delirantes que tomam lugar nos círculos mais inteligentes da paróquia. Sai da Zona Sul para subir — ou dizer que subiu — de joelhos as escadas da Penha ou entra num avião no Santos Dumont e, depois de descer em Congonhas, se mete por cantos que não conhece à procura de vestígios do Geraldo Filme. Caminha cabisbaixo pelas ruas de Porto Alegre para ver se detecta os passos do Veríssimo. Leva para Salvador um bilhete para o Caetano Veloso sabendo que o baiano ainda não terminou de estacionar o carro no Leblon. Senta-se à margem do São Francisco, em Petrolina, abre um vinho local e espera por notícias do Zé Coco do Riachão que chegarão num vapor que talvez não mais trafegue pelo rio. Comanda um pingado no Maletta e, espantado, enxerga o Murilo Rubião na careca de um sujeito que anda com um guarda-chuva preso no sovaco, um livro de bolso enfiado no cós da calça e um cigarro apagado na boca. Oferece ivermectina para uma das emas do Palácio do Alvorada e, diante da recusa amedrontada, insiste: “Aceita, boba!”

Mais, eis que de repente, impossibilitado de saracotear por aí, não sabe o que fazer. Inventa de medir a distância entre o banheiro, o quarto, a sala e a cozinha. Encontra Hemingway na barata que o cachorro que se parece com Kafka abocanha. Dança ao som dos repiques da geladeira, de onde tira uma feijoada congelada desde os tempos em que a tia Surica não sabia cozinhar. Sopra a poeira da mesinha de cabeceira e depois corre atrás daquela bolinha voante que o atrai tanto quanto as pernas das musas atraíam Vinícius no início de sua conversão a cancioneiro. Dorme de conchinha com a saudade mais filha da rua do mundo.

Dá de acordar triste.

Chora pela hora do almoço.

Fala mal da primavera.

5.4.21

Horas Turvas (do livro Contos de homem, 1995)

 


Quando criança, acreditava neles; hoje tenho certeza de que existem. Atitude ambígua, às vezes os desejo por perto, mas, se chegam, fujo, não, por favor; tenho medo. Acendo a luz, o cigarro, água no gargalo, a madrugada vem, é maior que suas horas e cresce. Então, tento-me acalmar, já vai passar. Já vai passar, sempre a mesma ilusão. Espero que com os anos eles sumam; nada, na outra noite desperto suado, a respiração sôfrega, o coração batendo atravessado. Não adianta ficar escondido no armário e deixá-los ir embora ou torcer para que meu pai entre, "Ouvi barulhos, o que é isso? Ora esqueça, foi só um susto, não chore, homem, não”. Vou à sala, no banheiro ligo o chuveiro, poderia gritar, e o temor talvez sumisse. O grito de repente acorda a vizinha e suas minissaias, ou o vizinho e seus vícios e solidários talvez toquem a campainha oferecendo sexo e pó. Prefiro o soco na parede. A mão sangra, corro, mãe, alcanço o quintal, sento na sala, subo a escada, continuo na sala, mãe, passo pela cozinha, deito no sofá, vou ao quarto, no sofá fecho os olhos, mãe. “O que foi?” Caí da mangueira, estou tão sozinho. “Bobagem, já já é dia.” Vejo as horas: 3:09 h. Tento 222 e o resto do número de um amigo. Ninguém. A televisão ligada parece cuspi-los na sala. Perco a trama e choro, choro escondido e sou pego em flagrante e denunciado. “O que ele tem? Agora deu para isso, é excesso de mimo, coisas da mãe, coisas do pai, é fase.” Dou um gole numa bebida, coloco uma música qualquer, mas a repetição continuada de seus quatro acordes e do estribilho me deixam pior, tiro o disco, quebro o disco, viro a dose, tomo outra. No relógio: 3:10. Todas as noites nesta noite. Arranco a roupa, entro no chuveiro. Relaxo. No boxe, os dedos fingem desenhos nos ladrilhos. A mão toca o corpo, alisa os pés, fica por aí, entre massagens e cócegas, depois vai às coxas e repousa no pau. Demora-se. Sobe ao peito, dança na barriga, retorna ao pau, ele apruma. Esta é para as mulheres que me fugiram pelas mãos. Penteio os cabelos, escovo os dentes. Outro gole. No relógio: 3:09. Armadilha. O rádio anuncia um dia bonito para amanhã; não acredito. Sei rir sem querer e fingir ser o que não sou. Círculo. Círculo. Redemoinho. Na farmacinha não encontro o tranquilizante. Quarto, sala, cozinha, quarto. “Sossega, menino ansioso, parece que tem o diabo!” Diabo? “Um homem como você precisa de uma mulher endiabrada.” Diabo? Não. Apago as luzes. Olho o céu. Uma estrela cai e volta na trilha do ponteiro dos relógios. Pai nosso que estais no céu, santificado seja o Vosso nome. Acendo o abajur. Ajeito-me e corro de encontro à parede. Atravesso-a incólume. Sou eles.

29.3.21

Janelas


Uma voz que parece sair de meus sonhos me diz: escreva sobre janelas.

Ao fugir do castigo da casa baixa onde imagino ter nascido, descobri que as janelas podem ser um caminho para a liberdade. Alguns anos depois, num sobrado no Beco dos Aflitos, olhava a rua pela janela e ouvia minha mãe dizer para eu não me debruçar. Minha mãe tinha medo, e eu, anseio de ver o mundo. Feito essas namoradeiras esculpidas em madeira, eu esperava a Elaine, no seu uniforme de secundarista, passar a caminho de sua casa. Aquela janela me deu a dimensão de que a moça, por ser uns cinco anos mais velha que eu, era inalcançável, e o correr da vida, estivessem meus cotovelos apoiados numa janela ou num balcão de botequim, completaria a lição: muitas mulheres são inalcançáveis. Em compensação, ao pular a janela da sede do diretório acadêmico, despertei o interesse de uma garota por mim — nos alcançamos.  

Quando as janelas se fecham, os passarinhos, longe de nosso olhar de gaiola, voam plenos de liberdade.

Recém-chegado ao Rio de Janeiro, do nono andar de um prédio em frente ao consulado português, em Botafogo, eu observava a fúria dos que, presos no engarrafamento, voltavam para casa após o trabalho. Naquela época, ano de 1980, os motoristas não poupavam a buzina. Alguma coisa houve de lá para cá e, hoje, buzina-se menos, assim como se fuma menos — as janelas são o paraíso dos fumantes. No caso do cigarro, a proibição de fumar em ambientes públicos e fechados, auxiliada por uma competente campanha publicitária, explica a queda no número de fumantes, mas em relação à buzina não houve nada parecido. Talvez seja uma compreensão espontânea do mal que a poluição sonora faz. Sociologias à parte, lá da janela do nono andar, e, depois de uma mudança, da equivalente do décimo segundo andar do mesmo prédio, o recém-chegado descobria que, para viver no mundo escolhido, deveria descer à rua, tomar o ônibus, sentar-se, caso desse azar, ao lado de um fumante, enfrentar o engarrafamento e ouvir as buzinas soarem bem ao lado. As janelas estimulam a reflexão e nos chamam à vida.

Para muitos, elas não são a tela de cinema por meio da qual, além da imagem e do som, se transmite o cheiro; ao contrário, apresentam-se como passagem entre um andar alto e o chão, entre a vida e a morte. Não se culpam as janelas nem as moradias tornadas verticais para comportar tanta gente em espaços exíguos. Cúmplice dos arranha-céus, o salto obedece a comandos de uma alma ferida. As janelas não julgam.

A evolução humana se deu única e exclusivamente para tornar possível a construção de janelas e teve, como consequência inesperada, a invenção, agora esquecida, da serenata. A arquitetura moderna, com seus prédios de vidro, engana-se ao imaginar que nos contentamos tão somente em ver o lá fora. Nada disso, queremos janelas.

Minha avó paterna ficou cega por conta de uma enfermidade que hoje algumas gotas diárias de colírio e uma cirurgia curariam. Para ela, a janela era fonte de brisa, mas poderia ser de vento e chuva, logo, havia sempre alguém zelando para que prazer e frescor não se transformassem em tormento. Se, como Da Vinci afirmou, “o olho é a janela da alma, o espelho do mundo”, que espécie de janela é o olho decorativo dos cegos? É este paradoxo que João Jardim e Walter Carvalho, no documentário não sem motivo chamado de “Janela da alma”, lançam ao colherem depoimento de dezenove artistas (de José Saramago a Hanna Schygulla, de Hermeto Pascoal a Agnès Varda) com problemas que vão de limitações medianas de visão à cegueira, como é o caso do fotógrafo Evgen Bavcar. Chego a um momento delicado, e, sem saber esclarecer o paradoxo, afirmo apenas que as janelas são uma metáfora de fragilidade e potência.

Morei numa pequena vila, e a janela principal, bela peça de uma construção do início do século XX, me dava aos olhos a similar do vizinho da frente. Às vezes eu e ele, olho no olho e uma ruazinha no meio, travávamos ótimas conversas. Do mesmo lugar, soltando a voz, anunciava a hora da tarefa escolar ou da refeição e tirava as crianças do pique-pega.

Falam da existência de janelas capazes de aproximar o nosso mundo de uma quinta dimensão. Não duvido disso, porém, nem em viagens induzidas por néctares vulgares, que me trouxeram aos olhos o que não havia, entrevi qualquer pedacinho do que imagino ser a mais bela visão. As janelas descortinam a quimera.

Manter as janelas abertas é princípio básico de saúde e está em evidência por conta desse maldito vírus assassino. Além de muita gente viver em moradias sem janelas, no Brasil elas foram fechadas, estão fechadas — sim, as janelas estão fechadas. Nem por isso os pássaros têm usufruído de sua máxima liberdade. Por solidariedade a nós? Não creio, devem estar estupefatos por ver a mão visível e incerimoniosa fechar as janelas, à luz do dia, sem que nós façamos nada para detê-la.

13.3.21

O jumento e a vacina

Há uns dez dias, um pequeno avião do governo da Bahia foi decolar de um aeroporto em Salvador e atropelou um jumento. Nem o animal nem o piloto se machucaram seriamente, mas o avião sofreu avarias e sua função, transportar doses da vacina contra a Covid-19 para o interior do estado, teve de ser executada por outro.

Nada mais metafórico do Brasil de hoje: o símbolo da estultícia, o pobre jumento — não sei por que razão ganhou a fama de pouco inteligente, ignorante, incapaz, mas vou aceitá-la sem crítica —, de um lado, e o da sabedoria e diligência humanas, a vacina, de outro. Aquele retarda o voo deste, ou seja, o acidente revela a encruzilhada civilizatória em que estamos. A imagem de um abismo logo adiante não serve mais ao Brasil, pois já demos o passo adicional e agora voamos em queda. Ainda que demore, pousaremos não exatamente no território da morte, mas no Tártaro, lá onde os deuses gregos supliciavam incorrigíveis como Sísifo. Repetir diariamente tarefas pesadas e inúteis é o que nos espera.

Relacionar o atual governo à irracionalidade do jumento (ou do gado) pode nos confortar, mas, ao fazê-lo, deixamos de reconhecer a inteligência dos senhores no poder. Pois eles têm inteligência, grande até; perversa, de fato. São conluiados com a morte. Se depois das grandes guerras, um ideal de civilidade e respeito às diferenças parece ter se transformado em um valor universal e desejável — ainda que pesem todas as atrocidades e guerras praticadas depois —, sempre houve aqueles que, por uma razão ou outra, continuaram a entender que governar é matar. Inventam inimigos em países vizinhos ou distantes, senão no próprio, onde passam a perseguir os que incomodam pela ancestralidade (os índios), pela potência (os negros), pela luta por independência e igualdade (as mulheres), pela subversão dos valores tradicionais (a comunidade LGBTQIA+) ou pela inconformidade (os artistas).

Quem nos comanda atualmente cultiva uma mentalidade mórbida como a descrita. A morte de quase trezentas mil pessoas (número aproximado de habitantes de Petrópolis, a nonagésima cidade, em termos de população, do Brasil, que conta com 5570 municípios), numa pandemia, não aflige os que militam na necropolítica, decerto os contenta. Queimar florestas é um espetáculo bonito. Dar as costas para a cultura é um ato de preservação de valores. Não faltam exemplos de como se compadecem da destruição.

Tenho um amigo que é exemplo dos que acreditam piamente no diálogo como forma de superar diferenças. Coerente com isso, o diálogo tem sido seu instrumento de ação profissional e política, papel que, aliás, desempenha muito bem. Por isso, fiquei surpreso com uma de suas publicações no Twitter. Diante da ruína civilizatória pela qual passamos, ele disse ter compreendido — não como um estudioso de um período passado, mas como alguém que experimenta, adulto e crítico, a dureza e periculosidade de seus dias — a opção de parte da juventude dos anos de 1960 pela luta armada. Meu amigo em nenhum momento defende que peguemos em arma, mas, com a violência e o autoritarismo inconsequente à solta, ele conclui, a escolha pelo combate no campo do inimigo (a violência) não é destituída de racionalidade. Eu acrescentaria: é exatamente isso que o novo poder quer de nós, portanto, tratemos de decepcioná-lo. Mais Gandhis, menos — como são muitos os que ocupam o espaço oposto ao de um pacifista, não cito nomes, preferindo a imagem talvez distorcida de outro animal — abutres.


Imagem captada na Internet/sem crédito


27.2.21

Puxando assunto

Tendo um minutinho, perca-o comigo, porque estou perdido há mais de hora. Perder-se no tempo significa estar com o pensamento ciciando sem cantar e beliscar o braço da irrealidade só para ver se não estou morto. Então, se você se dispõe a perder um minutinho, pode ser que eu não desperdice os meus, que eu tome prumo, consulte o mapa do tempo e encontre uma praça para boa charla, a partir da qual o improdutivo de minhas especulações aporte num diálogo no mínimo agradável.



Como o diálogo se dará assim, eu escrevo, você lê, é imperioso que eu o inicie. Não é difícil concluir que o assunto virá justamente da pororoca de meus devaneios, mas não importa como começam as prosas, importa que evoluam. Depois de um longo tempo distantes uns dos outros, Nelson, Horácio e eu nos encontramos no Bar Luiz, e o princípio da conversa veio de uma proposta feita à queima roupa por Horácio. Que tal se assaltássemos um banco? Num mundo conectado, ele dizia, nada mais fácil. Temos sofrido assaltos virtuais constantes — o roubo de nossos dados, os golpes pelo zap —, assim, na atualidade, assaltar um banco parece fácil, pode-se fazer de casa, mas, naquela época, quinze anos atrás, o mundo ainda ensaiava a plena conexão. Seríamos pioneiros e acabaríamos de vez com os assaltantes de bancos, que são, entre os bandidos, não sei se vocês sabem, os mais respeitados. Pelo menos eram, quando, para assaltar um banco, bastavam revólver e coragem. Hoje assaltam com o uso de drones, bombas e metralhadoras, é um espetáculo que talvez não perdure. O que virá ou já veio é o assalto limpo, à distância.

Horácio não queria assaltar um banco, queria ligar a máquina do papo furado ali entre chopes e milanesa com salada de batata. Nelson e eu mordemos a isca, e a conversa se estendeu. Sobre assalto? Não, falamos sobre o mundo virtual, sobre mulheres, falta de grana, literatura, descalabros políticos, tudo bem temperado no humor, pois meus dois amigos são desses. Horácio era.

Se a coisa começa sempre de qualquer jeito, proponho falar como o envelhecimento, antes de se instalar no corpo, se insinua nos sentidos. No meu caso, por exemplo, fiquei, já na passagem dos meus vinte para trinta anos, menos propenso a acompanhar o que de novo aparecia na música. A velhice precoce ficou restrita à música, pois, para a literatura, continuei e continuo aberto aos lançamentos. Talvez seja uma coisa minha, pode ser. Lembro-me de um lugar comum segundo o qual devemos reservar a velhice para a releitura dos clássicos, sem nos arriscar com os contemporâneos. Se é verdade, nesse diapasão ainda não sou velho. No campo da música, envelheci conquanto permanecesse jovem. O pop, com sua bateria tatibitate entremeando a massa sonora amorfa de instrumentos indistinguíveis, me deixou enfezado ainda nos anos de 1980. Eu pensei, nunca mais ouço essas músicas, no entanto, há três ou quatro anos, viajava de Belo Horizonte para Passos e, no pedágio perto de Itaúna, prestei atenção ao som que tocava. Que lindo! O que era? Michael Jackson.

Estou tentando dizer que eu me fechei ao pop que surgiu no rastro do próprio Michael Jackson. Acho que depois que o pop que me deu nos nervos envelheceu, eu, impiedosa e musicalmente velho, o acolhi. É uma tese e requer tempo para que eu a explique. Exige um chope. Ou dois. Ou três.



Aproveito esse papo de estranhamento, ter envelhecido quando eu era novo, aceitar o novo quando ele envelheceu, e mudo de assunto. — (Estivesse no bar, o número de chopes na mesa possibilitaria empilhar os porta-copos de papelão e jogá-los para cima para tentar agarrá-los sem que nenhum se desprendesse da pilha e antes que todos caíssem no chão.) — Não gosto de armas, se dei dois ou três tiros com espingarda de chumbo foi muito, e foi frustrante. Não vi graça alguma. Nunca quis matar passarinhos, nem a tiros nem a estilingadas, no máximo quis aprisioná-los, e, para tal, armei alçapão e esperei, esperei. Juro, nunca capturei nenhum. Os que tive ganhei de presente, comprei ou barganhei — barganha na qual invariavelmente levava manta. Dos maus negócios não me arrependo, de ter aprisionado passarinhos, sim.

Armas espalhadas entre a população promovem a violência, basta ler as pesquisas para se certificar disso. Mas o que temos no catálogo do poder? Uma bandeja de armas no lugar de uma de alimentos, isso que anda custando o olho da cara num momento em que muita gente retrocedeu da pobreza para a miséria; uma saraivada de tiros no lugar de um pico de vacina. A infelicidade tomou o palco e faz o show. Na plateia, há os que deliram e rugem como se fossem felizes.

Chego àquele instante em que, se estivesse no bar e cansado de falar, beberia um gole longo, olharia para alguma coisa interessante que se passasse na rua, a beleza de uma mulher, a ternura de uma criança que, em vez de andar, saltitasse sem largar a mão de seu acompanhante adulto, o abandono da lata vazia de cerveja a ser amassada pela roda de um carro velho, a imobilidade do poste prestes a ser aceso; olharia para a vida, enfim, tão besta e maravilhosa.

Chego àquele instante em que sou todo ouvidos.