13.7.26

Viagens à Terrinha

Em 2025, depois de seis anos, voltei a minha cidade natal, Passos, interior de Minas. Daquela vez, passei por experiências incríveis, a começar pela recepção surpresa que meus amigos da vida inteira me fizeram. Os abraços e brindes reforçaram a amizade em momento em que a política nos separa de forma até violenta. Isso para mim foi um aprendizado e uma reconexão com uma parte minha agradável e humana.

Naqueles dias, convidando meu amigo Rodrigo Leste, escritor e ator belo-horizontino, organizei uma Felifitá — Festa Literária de Fim de Tarde. O evento ocorreu num local que eu desconhecia, o Instituto Motirõ, uma instância político-cultural tocada na força e na coragem por Márcio Carvalho e Betânia Marques, dois professores. No Motirõ, juntou-se a nós o grupo Vastafala — reunião de amantes do teatro e da poesia cuja história é semente de tudo que veio depois.

Também esteve conosco o cronista da cidade, Sebastião Wenceslau Borges. Ele contou a história da "língua do sapateiro", dialeto criado pelos artesãos (como ele) para conversas veladas — às vezes para falar mal de clientes que cobravam rapidez no serviço e pechinchavam, noutras para erotizar as mulheres do high society. Meu mestre Gilberto Abreu, poeta e romancista de mão cheia, também marcou presença. Ele foi meu professor de história antes de deixar a cidade por questões políticas para se tornar um grande docente, vereador e secretário municipal em Ribeirão Preto. Por fim, e tão importante quanto os demais, a poeta Marise Pacheco, integrante do revolucionário grupo de estudantes secundaristas que, em plena ditadura, produziu a Protótipo, revista mimeografada que circulou pelo Brasil. Reunimos umas cinquenta pessoas e fizemos um sarau inesquecível. Minha emoção circulou, então, nesse eixo afetivo-cultural.

Acabo de voltar de Passos, de uma outra viagem igualmente mágica. Fomos eu, minha filha (que não voltava lá há uns dez anos) e, pela primeira vez, meu genro. Antes de chegar a Passos, paramos na Estância dos Lagos, um condomínio bonito à beira da represa de Furnas, para o casamento da Jéssica e do Thales — ela, filha dos meus primos-irmãos, Rosa e Jânio.


Escarpas do Lago, Capitólio, Minas Gerais


Que festa! Não me lembro de ter ido a outra igual, e não digo apenas pela grandiosidade. O lugar é maravilhoso e os convidados estavam de fato irmanados. Ali, revi pessoas que passaram pela minha vida, mas que não eram do grupo mais próximo. Eram homens e mulheres com os quais não mantive contato desde a adolescência. Brinquei com alguns, chamando-os pelo nome de seus pais. É isto: vamos ficando iguais aos nossos velhos, o que é uma coisa bonita. Esses reencontros não trouxeram nostalgia, mas me fizeram ver como a vida é realmente um sopro. Um sopro às vezes com cisco, às vezes apenas uma lufada mansa, incapaz de levantar um fio de cabelo, e refrescante.

A viagem com minha filha e meu genro foi ótima, tanto pelas estradas atravessadas ao som de boa música, quanto por tudo que vivemos lá. Helena já havia avisado ao Luan para não se assustar, pois vários conhecidos diriam que ela é a cara da minha mãe. Não deu outra. Só no casamento, contei uns vinte comentários desses. A figura de minha mãe no rosto de minha filha é forte para mim e para ela, que sempre teve uma relação profunda com a avó.

Fomos visitar o túmulo de meus pais, que custamos a encontrar. Uma vez lá, Helena depositou sobre ele lírios brancos. Ela não sabia, mas nos santinhos de primeira comunhão dos filhos de dona Haydée vinha escrito: “Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham nem fiam; e eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles” — versículos de Mateus e de Lucas.

Nós três ainda mergulhamos nas cachoeiras ao redor do Lago de Furnas. Nesta época do ano, a água é gelada, mas não há o risco de trombas d’água e o sol é forte. O corpo ainda agora agradece por essa limpeza.

Por fim, houve o lançamento de “Os verbos estão cansados” (Editora Patuá), meu mais recente livro de contos. Outra festa, na qual velhos e novos amigos, parentes e pessoas da cultura — inclusive a diretora municipal — me prestigiaram. O local, um bar com espetinhos maravilhosos, foi perfeito para o encontro.

Registro, em letras maiúsculas, a presença do escritor belo-horizontino Ronaldo Guimarães, responsável pela orelha do meu livro. Esse admirável amigo saiu cedo de BH e venceu quase quatrocentos quilômetros de estrada só para tomar uma cerveja comigo. Ao ser apresentado ao Ronaldo, o escritor Marco Túlio Costa, morador de Passos e colecionador de prêmios literários, inclusive o Jabuti, brincou dizendo que estava ali a pessoa certa para "puxar a minha orelha". Não discordo, mas a presença de meu orelhista me mostrou o verdadeiro significado da amizade.

29.6.26

Barulhos

O quarto que ocupo há pouco tempo, ao contrário dos dois anteriores, não preza o silêncio. A qualquer hora do dia, posso ouvir aviões se preparando para pousar no Santos Dumont, o aeroporto mais bonito do mundo. Quando passam sobre o prédio, as aeronaves fazem sombra no meu quarto e na sala — com o que os cachorros se assustam e latem — e interferem no funcionamento da antena da televisão comprada para assistir sem delay aos jogos do Brasil. Ouço carros e ônibus circulando na rua, uma novidade para um ex-morador de apartamentos imunes a esses excessos urbanos. Ouço o porteiro do plantão da noite brigar com quem o substituirá. Acho que o primeiro não engoliu a justificativa do atraso do outro, mas, feito a Glória Pires, não sou capaz de opinar. Ouço um pouco distante a manha de uma menina, talvez seja a mesma que logo cedo, na companhia do pai, chamando pela mãe, sai revoltada a caminho da escola. Ah, meu Deus, por que separamos os filhos de suas mães?

Ouço o movimento do vizinho no banheiro, por sorte só o movimento. Isso me tranquiliza, minha intimidade corpórea não ecoa prédio afora. Com tanta gente no mundo, viver em edifícios, empilhados uns sobre os outros, é a única maneira possível, mas, convenhamos, os apartamentos passaram a ter paredes finas demais, o que me leva a crer que, nesses novos condomínios, uns ouvirão os outros em momentos de amor, desarranjos e ressaca.

Stefano Mancuso, um botânico italiano, sugere fechar algumas ruas e naquele espaço plantar árvores. Segundo ele, o Brasil lançou essa ideia, mais precisamente em Curitiba, quando Jaime Lerner foi prefeito. Já servimos de exemplo ao mundo, mas isso faz tempo, muito tempo. Seja como for, tenho simpatia pela ideia do biólogo, embora nada contenha a tendência de construir apartamentos totalmente devassáveis, cada vez mais promíscuos. Penso aqui numa coisa, vejam se faz sentido. Essas moradias não mais guardarão nossa vida privada da vista e do ouvido alheios. Isso de certa forma é um retorno à vida primitiva, período no qual a ideia de privacidade, se existia, era diferente da atual. Um retorno, sim, mas, no lugar das florestas, selvas de pedra — apelido de um condomínio carioca localizado no Leblon, bairro caro até para padrões estrangeiros. Se a ideia de Mancuso se espalhar, teremos atenuantes ao calor que tudo indica nos matará em breve. Talvez também diminua a poluição sonora, o que seria um efeito colateral positivo.

Falando em volta no tempo, li “Os imortais”, de Paulliny Tort, editado pela Fósforo e ambientado na pré-história. O romance começa com os neandertais vagueando em busca de alimentos (os cavalos são sua carne preferida), o que sugere algum deterioramento do meio ambiente. No caminho, encontram os sapiens, que, apesar de se mostrarem mais organizados, não resistem ao ataque dos primeiros. Dos sapiens restarão uma mulher, por pouco tempo, e uma bebê, que crescerá entre os neandertais. Não vou dizer mais que isso, pois esse aparte, verdadeiro ruído na crônica que parecia tão bem traçada, tem o objetivo de dizer a você, leitor ou leitora, que há coisas mais prazerosas do que ler estas minhas bobagens. De toda forma e do alto da capacidade crítica que não tenho, emendo: “Os imortais” entrará para a lista dos clássicos da literatura brasileira. Anotem e daqui a cem anos, se eu estiver errado, façam barulho no meu leito eterno, que não existirá, pois serei cremado, mas pode ser que minhas cinzas tenham sido jogadas aos pés de uma mangueira. Importunem a árvore, se for o caso.

Afastado o ruído, volto à questão auditiva, leitmotiv dessa crônica de voz miúda. Semana passada, acordei com tiros e bombas estourando não muito longe de casa. Depois eu soube: a polícia fez uma operação no morro Dona Marta, segundo a justificativa oficial, para prender perigosos bandidos ligados ao Comando Vermelho. O problema dessas ações é que a polícia age praticamente como os próprios bandidos, não raro invade as casas de quem não tem nada a ver com o tráfico e rouba comida, televisão, micro-ondas, tênis, roupa, quando não comete violência sexual. Isso eu não ouvi dizer não, os jornais registram. Há uma guerra no Rio de Janeiro, mas nenhum dos lados é o meu.

15.6.26

Mãos lavadas

 E ontem, o que foi aquilo diante do Marrocos, no estádio MetLife Stadium, em Nova Jersey? Eita, vamos parar logo por aqui. No momento em que escrevo, o jogo ainda não aconteceu, mas, confesso, ando tão pessimista com a seleção e pouco empolgado com o torneio que adianto o sofrimento. Mas isso talvez seja salutar, se ocorrer a catástrofe, já estou preparado. Se não, me embriago da alegria. Neste caso, olharei para trás e direi: ô, bobo, os meninos jogam muito, ainda é o futebol brasileiro.

Se ainda não sei nada dos fatos de ontem, na Copa ou fora dela, devo procurar um assunto para compartilhar com vocês neste domingo junino. Não quero escolher nenhum obscuro, mas, vejam só, estamos sendo tão torpedeados que é difícil fugir deles.

A mãe do Henry, aquele menininho assassinado em casa, até aqui vista como cúmplice do padrasto condenado com uma pena adequada, foi liberada. A justificativa para isso requer que a gente vista o fardão de um juiz. Primeiro, o crime da ré mudou de figura. Entenderam que ela não atuou de forma premeditada, mas que contribuiu indiretamente — ou seja, não foi crime doloso, mas culposo. Crimes culposos não são julgados pelo júri, então foi a juíza que — por estar diante de uma ré primária, que, por ser mulher e mãe, num mundo patriarcal, não goza da proteção normalmente concedida aos homens — lhe concedeu o perdão jurídico. Mais que isso, viu a reação pública como desmesurada. Será? Me surpreende diante das evidências que circulavam em torno do caso. Pior de tudo, Henry está morto.

Mas as evidências podem parecer óbvias por quererem que acreditemos nelas. É nossa característica meio fofoqueira. Eu falo, alguém me ouve e fala para alguém, que ouve e passa para mais alguém. Posso não ter compreendido — ou ter interesse numa certa versão —, e com certeza outras incompreensões e más intenções serão acrescentadas nesse telefone sem fio — ah, crianças, essa expressão já fez sentido, há muito não faz, mas, por favor, esforcem-se um pouco e a compreenderão (de qualquer modo, deixem que eu a use sem grande questionamento). Continuo meu argumento: desde o surgimento da imprensa, os jornais dão conta de fazer o tititi circular com cara de verdade. Quer dizer, antes da invasão das redes sociais cumpriam esse papel, uma vez que a eles se dava essa espécie de autoridade. Agora, com a fúria das redes, temperada pelas trapaças da inteligência artificial, o jogo mudou e estranhamente estamos vivendo num mundo parecido com aquele do disse me disse entre vizinhos: todo mundo fala, ninguém ouve. A justiça, carambola, tem mesmo de pisar em ovos, caso contrário é melhor dizer que lava as mãos. Não para crucificar o Cristo, mas para liberar os possíveis ladrões.

Terei virado sociólogo, pensador, sábio? Se aconteceu, foi à revelia de mim. Continuo aquele aéreo de sempre, cavoucando o nada para encontrar uma palavrinha que rime com outra ou uma frase que dê sentido à anterior. Fiel a meus princípios, prometo que a partir daqui não serei o vidente pilantra nem o intelectual de quinta categoria.

Anunciarei uma boa notícia.

Hoje é dia 14 e ainda tenho uns caraminguás na conta, não é um milagre?

1.6.26

Arco da derrota

Peguei uma rebarba do movimento hippie. Quer dizer, eu via a coisa acontecendo, embora não pertencesse a ela. Para falar a verdade, na minha pacata e conservadora cidade não havia nenhum hippie. Ou, se houve, achou melhor tirar o time de campo, mudar-se para um grande centro e lá desfrutar da filosofia da turma.



Uma filosofia? Sim, paz e amor, essa conjunção simples e difícil. Mais que filosofia — ou menos, não sei —, era uma utopia, ou Utopia, como queiram. O mundo já se permitiu sonhar em acabar com a guerra, as guerras, amar-se livremente, viver em comunhão com a natureza. As más línguas blasfemavam contra esse mundo encantado, espalhavam que nele não haveria lugar para banho e os hippies seriam assim sujinhos. O que é a sujeira diante da guerra? Quem vive em comunhão com a natureza, se banha, os portugueses aprenderam isso tão logo puseram os pés por aqui. Para dizer a verdade, se espantaram com nossos habitantes originários, nus e limpos. Pois então, os hippies estavam mais para indígenas do que para colonizadores.

A utopia defende a igualdade, a fraternidade e a igualdade sem precisar decapitar ninguém.

Falo em decapitação e me meto na outra parte desta crônica. Caminhava pela espetacular pista entre Botafogo e Flamengo — aquela parte onde um tanto de natureza original vive em harmonia com a obra da arquitetura, o Parque do Aterro —, quando um corredor passou por mim. Quer dizer, vários corredores me ultrapassam, ando em modo acelerado, mas não tão acelerado assim. Nessa minha velocidade de cágado aflito, ainda paro e aprecio o Pão de Açúcar, a Enseada de Botafogo, o céu, melhor dizendo, os céus: hoje vermelho, amanhã cinza, no sábado azulíssimo. Faço um parêntese: ando escrevendo uma novela cujo personagem gosta do céu azul, sem nuvem, sem pôr do sol. Não sou como ele, mas o entendo.

Onde eu estava mesmo? Em que parte da crônica, quero dizer, pois sei que contava de uma caminhada entre Botafogo e Flamengo. Ah, sim, um corredor passou por mim. Nas costas dele, a frase na camiseta dizia: “f*ck your peace” — assim mesmo, com “*” no lugar do “u”. Ora, vejam só. Não basta esfaquear a velha utopia e sua esperança de paz, tem de usar o inglês.

O rapaz é a bandeira desses dias atuais nos quais triunfou a guerra, a violência, a distopia, ou Distopia, como queiram. É um mundo medonho. É um mundo cruel. É um mundo que não é de Deus, embora em nome dele se levantem muitas vozes obscuras.

Meus sessenta e quatro anos me dizem que ainda verei atrocidades imensas, mas também que não demora tanto assim para ser chamado para o coração da terra — não para o inferno, que não existe, nem para o céu, que, enquanto morada eterna, tampouco existe —, deixando vocês aí com o abacaxi na mão.

18.5.26

Em fuga

Em um mundo em guerra, é preciso pensar em pelo menos duas coisas. A primeira é o que fazer se as bombas começarem a ser despejadas por aqui, nas nossas fuças. A segunda é procurar se distrair, não dá para ficar ligado nessa loucura o tempo todo, caso contrário a bomba estoura dentro do peito e o velho coração não aguenta.

Se atingirem nosso quintal, eis a verdade, não estaremos apenas mais angustiados que o goleiro na hora do gol, estaremos liquidados. Fico boquiaberto ao ver drones atirando não sei onde, mísseis viajando milhares de quilômetros e, antes de atingirem o alvo, serem bloqueados por interceptadores. É um jogo de videogame com sangue e tristeza na fase final. Nosso país, até onde sei, não tem grandes recursos nem de defesa nem de ataque.

No Brasil, os que vivem fora do Rio – mais ou menos noventa por cento da população – têm uma visão aumentada da violência fluminense e acham que já temos túneis de escape e não sei mais o quê. Não é verdade. Apesar de mãos sujas estarem assinando leis e comandando o orçamento nas instituições de poder, a violência está concentrada na periferia da Cidade Maravilhosa, envolvendo o Grande Rio, e é muito seletiva. As balas, em obediência a dedos muito bem treinados, têm preferência pelos garotos pretos. Portanto, não estamos em situação privilegiada – oh, que ironia seria isso! – em relação ao resto do Brasil. Ou seja, meus amigos, façam suas conexões ao divino de sua crença, pois não temos controle sobre a engrenagem do mundo, mesmo com a nossa boa diplomacia, que o governo anterior quase destruiu.

Diante de situação tão desesperadora, é preciso se distrair. A festa, como se diz, não é alienação, é proteção, terapia, apaziguamento. Festejemos. Eu festejo saindo com amigos, jogando conversa fora – aqui e ali falando sério, pensando o mundo, que por sua vez nos ignora –, ouvindo música e principalmente lendo e escrevendo.





Há uma diferença entre ler e escrever. Escrever exige uma busca de algo a ser dito, então dificilmente se escapa dessa barafunda na qual nos encontramos. Ler requer uma abertura, ir lá no que o outro escreveu em busca de diálogo. Leio no momento “O jogo da Amarelinha”, do Cortázar, um mais que romance, um ensaio sobre o romance, uma destruição do romance, mas que, assim mesmo, conta a história de um portenho que se encontra em Paris e, depois de expulso da França, volta a Buenos Aires. É um sujeito que não é simpático, aliás, nem um pouco, mas, ao carregar tantas questões em sua trajetória meio sem pé nem cabeça, nos carrega para bem próximo dele. O autor argentino tinha a manha e, topetudo, enfrentava a grande literatura mundial no braço, de igual para igual.

Ler um livro como o romance argentino nos distrai, mas não nos livra da angústia, que, no extremo, leva à guerra. Então ler nem sempre se parece a uma festa. A menos que você recorra à crônica. Não a qualquer uma – esta, por exemplo, não serve –, mas àquelas nas quais seus escritores se entregam às minudências da vida. Rubem Braga é mestre nisso. Clarice Lispector também, às vezes. Fernando Sabino pesponta e chuleia assuntos triviais. Temos uma longa tradição, e ouso dizer que a crônica, tendo ou não nascido por aqui, é brasileiríssima e se parece às nossas forças armadas em um aspecto: não tem ataque nem defesa muito fortes. Ela está na fronteira da inutilidade, de onde nada se espera e, não raramente, nos socorre de alguma “dor canalha”, como dizia Walter Franco.

Na revista Rubem, além de nós, seus colunistas, você encontra uma aba com grandes crônicas brasileiras: além dos três já citados, Nélida Piñon, Paulo Mendes Campos, Cecília Meireles, entre outras e outros, estão lá, num pot-pourri delicioso. Num site incrível, Portal da Crônica Brasileira, o leitor pode esquecer até dos boletos, aqueles contra os quais travamos nossa guerrinha diária.