28.3.10

Surpresas de 2010

A máxima aceita por todos diz que o ano no Brasil começa depois do carnaval. Com a Copa do Mundo, dá-se um chega pra lá nesse teórico janeiro e tudo principia na palma da mão de julho. Assim é.
Assim seria, pois neste 2010 o ano começou no meio da folia, quando foi preso o governador do Distrito Federal. O homem, que foi flagrado recebendo um dindim escuso, que pulou pra se esconder, que inventou desculpa esfarrapada, foi pro xilindró. Claro, prum xilindró bacana, de onde, provavelmente, com recursos jurídicos de toda sorte, deverá sair em breve. Não faz mal, fez-se e houve um gesto que o condena. Aos poucos o país melhora essa questão, sou otimista. Não tarda muito – pense no tempo dos países, não no ligeiro pelo qual passamos por aqui –, não tarda muito e veremos gente dessa espécie devolvendo a grana aos cofres públicos.
Sinais efetivos de que não nos devemos curvar ao poder do tempo, particularmente do tempo cultural. Comecemos o ano no dia primeiro de janeiro ou no 11 de fevereiro, pouco importa, somos uma nação jovem, ainda jovem, e temos de acertar muitas coisas tortas largadas por aí.
Cuidar da educação: parece que estamos num impasse. Fim do vestibular, cotas, escolas particulares tentando tornar-se grifes ao mesmo tempo em que há crise financeira em quase todas. Ainda não está claro como fazer a excelência voltar às escolas públicas de forma definitiva e universal.
Cuidar da saúde: discute-se a melhor forma de gerenciamento; há dicotomias absurdas (medicina de altíssimo nível para poucos e sofrível para a maioria); os governos estaduais e municipais encarregam-se de comprar os medicamentos de altos custos e, invariavelmente, estes faltam aos necessitados.
Cuidar da infraestrutura: deita-se falação sobre transporte ferroviário, mas tudo anda no ritmo das marias-fumaças; a navegação fluvial é incipiente; as estradas sofrem as mesmas anomalias observadas em tantas outras áreas (algumas ótimas, a maioria deixada à própria sorte).
São coisas tortas, sim, mas, em retrospectiva, acho que tudo melhorou um pouco. Talvez um pouquinho. Já é um passo. Repito: sou otimista. Responsáveis por essas melhoras: PSDB e PT, no plano político, com 50% de mérito para cada um, a despeito do que eles, em confronto, nos dirão em ano eleitoral. No campo que interessa, a responsabilidade é nossa, da sociedade civil, de nossas representações autônomas e de nossos gritos espontâneos aqui e ali. Se, como se diz no futebol, acertarmos o último passe, ninguém vai nos segurar. Podem vir políticos mal-intencionados, larápios assim ou assado que a gente enfia o gol de nossas necessidades na fuça deles. Sem violência, com pressão do ataque e drible de craque. Exatamente como os estudantes de Brasília fizeram desde o início da crise local. Esses meninos e essas meninas, sim, são o orgulho da mamãe, do papai e nosso.
Com um ano começando tão cedo, dá no que está dando.
A Unidos da Tijuca fatura o carnaval carioca, passando uma rasteira merecida nas escolonas.
O Botafogo, esse injustiçado, torna-se bicampeão da Taça Guanabara.
Um poste candidata-se a presidente do país para concorrer contra um carrancudo. Não devemos temer cara feia, deveremos estar atentos e prontos para as lutas. Como sempre foi e é, independentemente do calendário.
Por enquanto, com esse ano de quase doze meses, jogo preocupações maiores de lado e comemoro. Grito assim: Fogooooooooooo!


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