14.2.09

Pro ano

“Eu sempre quis muito.”
(Caetano Veloso)


Eu gostaria de começar 2009 entendendo por que cargas d’água a gente compra um cartão de viagem única do Metrô e só pode usá-lo no máximo em 48 horas. De onde foi que tiraram essa idéia de que o direito de usufruir de um serviço pré-pago tem prazo de validade? Cadê a defesa do consumidor, alguém viu?


O atual prefeito terá de dar jeito num vazamento lá na Voluntários da Pátria. O Maia passou por lá, refez o asfalto, e refez de novo, e mais uma vez refez (não estou exagerando), e o tal vazamento, ali entre a São João Batista e a Sorocaba, desdenhou de máquinas e braços e continuou intacto. É verdade que o prefeito terá de tratar de outro vazamento, este na sua rua, leitor. E terá de cuidar das escolas municipais. E terá de dar um basta na confusão do comércio ilegal. Que tudo se resolva, sem que se esqueça o problema da minha rua.

Acalento um sonho: que a cidade não tenha mais moradores de rua e crianças abandonadas. E esse sonho vai além: nele essas pessoas não são tiradas da rua; ao contrário, são elas que saem, pois reencontram suas casas e nelas um modo novo de viver e de reatar os elos rompidos de suas existências. Saúde psíquica e social de uma só vez.

O Botafogo não contratará nenhum Ronaldinho ou Ronaldão. Nenhum Kaká ou Cristiano Ronaldo ou mesmo Rooney. O Botafogo revelará outro Garrincha.

O Lula, numa passagem pelo Havaí, poderá aprender, e é bom que aprenda, a surfar em marolinha.

Lá pra março, o Chico Buarque termina o novo romance que parece estar escrevendo, entrega-o a seu editor e, de enfiada, corre pro estúdio e grava com o Zeca Baleiro.

As mulheres cheias de pudor andarão nuas como queria Vinícius de Moraes. Com isso, a polêmica de nudez no cinema perderá o sentido.

Não formamos um país angustiado ou de angustiados. Todavia, 2009 poderia resolver uma pendenga asfixiante: a tal Capitu pulava ou pulou a cerca? Meus pais passaram por essa dúvida, meus irmãos também. Não fui poupado e vejo agora minha filha indo pelo mesmo caminho, ainda que, para ela, Capitu não passe de uma sem-vergonha. Como um país pode perder tanta energia com uma questão dessa? Se não houver consenso, decreto-lei para definir se houve ou não houve a derrapada da moça e ponto final (muito cuidado na revisão para que não batam em lugar do ponto uma interrogação, uma exclamação ou mesmo um ponto e vírgula).

Dou agora um palpite com a intenção de resolver um problema municipal pequeno assim e, no entanto, muito simbólico: que tal operar de miopia a estátua do Drummond?





Pro ano está bom. O resto fica para 2010. E enquanto isso, que todos queiram muito e tenham uma boa vida neste 2009 que se inicia.
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