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A realidade é só um detalhe

Carlos Herculano Lopes, Estado de Minas, Caderno Cultura, em 4/06/2009


Mineiro de Passos, vivendo há 30 anos no Rio de Janeiro, o escritor Alexandre Brandão está com livro novo na praça. Ele lança hoje, em Belo Horizonte, no Agosto Butiquim, no Prado, A câmara e a pena (Editora Cais Pharoux, 160 páginas, R$ 30), que traz duas novelas: Um pouco mais que um diretor e Em torno de uma xícara de café.

A primeira novela, segundo Brandão, gira em torno de uma filmagem, sob a direção de um estreante. Só que essa filmagem esbarra na incapacidade da equipe em dar sequência ao projeto, devido a vários problemas. Já a segunda acompanha um grupo de escritores que, fugindo de uma oficina literária, resolve trocar seus textos e encontrar-se periodicamente para discuti-los. “As coisas vão andar, haverá discussões, quase cisões, mas depois tomarão um rumo peculiar com a chegada de um casal de velhos que, no início, ficará de longe observando o trabalho ruidoso daquele bando e, mais tarde, interagindo com eles, alterará a vida de todos”, conta o autor.

Este é o terceiro livro de Alexandre Brandão, que já publicou a antologia Contos de homem (com prefácio de João Gilberto Noll) e Estão todos aqui. Ele revela que começou a escrever ainda em Passos, onde viveu até os 15 anos. Espelhava-se em autores da terra, como José Alexandre Marino, Antônio Barreto e Marco Túlio Costa, dos quais foi se aproximando. “Depois ficamos amigos, e foi Barreto, inclusive, quem sugeriu ao pessoal do Suplemento Literário de Minas Gerais que publicasse alguns textos meus. Mais tarde, Marco Túlio me convidou para escrever uma crônica semanal num jornal que ele editava lá em Passos. Passei a dividir o espaço com o Marino, e fechamos o círculo”, lembra Brandão.

Leitor de Machado de Assis, Ernesto Sábato, Júlio Cortázar, Guimarães Rosa, Dostoievski, Luís Vilela, Graciliano Ramos e tantos outros, Alexandre Brandão confessa ainda que, ao criar suas histórias, quase nunca busca inspiração em fatos reais. Quando isso ocorre é apenas um detalhe ou outro que tira do cotidiano, para pontuar algum aspecto da narrativa. “Mas por incrível que pareça, no caso das duas novelas de A câmara e a pena, há muitas vivências minhas, ainda que nenhuma das tramas narradas tenha ocorrido realmente. Minha mulher trabalhou um bom tempo com cinema. Daí eu intuir um pouco como funciona esse mundo. Claro que é apenas intuição, mas aproveitei um pouco dela para fazer literatura.”

Além de se dedicar à ficção e à economia, como funcionário do IBGE, Alexandre Brandão criou o  www.noosso.blogspot.com, embora confesse não ser um entusiasta da internet em se tratando da escrita. “Quando comecei a fazer crônicas para o jornal de Passos e para um outro, de bairro, aqui no Rio, achei que poderiam também ficar registradas em um blog”, explica. “No meu caso, ele só é conhecido pelos amigos mais próximos. Vez ou outra é que recebo a visita de um estranho ou do amigo de um amigo. Mas vejo que existe um movimento intenso nesse espaço virtual. Autores ‘nascem’ ali e depois migram para o livro. Existem sites que são interessantes. Verdadeiras revistas literárias. O meu é caseiro.”

A câmara e a pena
Lançamento do livro de Alexandre Brandão, hoje, às 19h, no Agosto Butiquim (Rua Esmeraldas, 298, Prado). Entrada franca. Informações: (31) 3337-6825 
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