21.9.10

Num momento assim

Alexandre Brandão/set.2010


Ao sair do eixo
Feito um pato sem plumas diante do espelho
Ou, diante do mesmo espelho, o espelho da alma de um gato triste

A memória caçoa do desejo —
Esse que escreve descolorido
Em pergaminho que não guarda segredos.

E eu me pergunto:

Quem costura a pronúncia da dor?
Quem limpa o dejeto da beleza?


O braço à espera da morfina
O rosto envergonhado do sem-vergonha
A nostalgia rasteira dos confusos
    ou aquele por trás disso.

O verbo incapaz
A frase não dita
O pôr do sol depois do sol posto
    ou o que é avesso a tudo isso.

Quem?
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