10.3.11

Em gotas

Era janeiro. O dia estava quente, e eu saía do trabalho no adiantado da hora. Trabalho perto da Lapa, o ponto efervescente da boemia carioca. Duas garotas, jovens e lindas, prontas pra noite, vinham em sentido contrário ao meu. Quando nos aproximamos, ouvi de uma delas: "Não, não estou com ele, não dá pra ficar com um cara que tem a bunda maior do que a minha."
Um amigo meu não perde os discursos que os presidentes americanos fazem no início do ano (State of Union). Ele colocou no Facebook várias passagens do que o Obama falou este ano. Entre tantas coisas, o presidente disse que, a partir de 2011, nenhum americano estará proibido de servir ao país que ama por conta de quem ama, um recado direto aos homossexuais, ainda que não só a eles. Mr. Obama continua compromissado com muitas bandeiras da liberdade individual. Viva ele!
Nos EUA, anunciaram a fabricação e a comercialização de refrigerantes à base de maconha, que, em alguns estados, está liberada quando auxiliar nos tratamentos de saúde. Se bem entendo, uma lei federal considera de todo modo a erva maldita. Detalhes, detalhes, o importante é que com esse novo refrigerante será resolvida uma velha pendenga: pais e mães farão questão de comparecer às festas infantis.
O Botafogo tomou uma decisão correta: contratou um lateral direito de Passos, minha cidade natal e mineira; Lucas, o nome dele. À direita, a Estrela Solitária vai. Se o ano não for bom, o problema estará no centro ou na esquerda. Na verdade não quero que nem o Botafogo nem o Brasil tenham problema com a esquerda. É hora da figa.
Por falar na minha cidade, fui jovem nela. Naquele tempo, o capítulo da novela que passava hoje aqui passava lá uma semana depois. Chegávamos à moda um pouco depois de todos, o que nos tornava imediatamente fora de moda — no entanto éramos felizes, ou, melhor dizendo, não éramos infelizes por conta do atraso.
Rio, essa cidade cosmopolita, não vê shows da Ná Ozzetti e de seu irmão, o Dante, do Carlos Careqa, da Consuelo de Paula, da Andreia Dias e do nobre senhor Luiz Tatit. Por que será?

Num ninho de mafagafos, há sete mafagafinhos. Quem conseguir desmafagar esses sete mafagafinhos bom desmafagador será. Saudades do meu pai.
Fui ao Ceará. Comi lagosta. Namorei. Passeei em lugares realmente lindos. Não bastasse isso, tive a sorte de conhecer escritores pra lá de interessantes, entre eles os contemporâneos Pedro Salgueiro, Tércia Montenegro e Flávio Paiva, além do já falecido Moreira Campos, este, com certeza, um contista mestre. Amei o Ceará.
Coisas que só comi na infância: fudge de chocolate e coco de macaúba.
O mundo deu um passo atrás. Se isso é recuo para posterior avanço, não estou certo. O fato é que, pelo menos no Rio de Janeiro, muitos homens e algumas mulheres voltaram a usar chapéu.
Depois de assistir ao filme “Minhas mães e meu pai” (péssima tradução para “The kids are all right”), estou matutando o seguinte: formar famílias a partir de cônjuges homossexuais não muda em nada a velha e carcomida família.
Infeliz daquele que nunca leu Raymond Carver. 
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