3.2.06

Sonhar com Queijo e Nada Mais



Os ratos sonham. Quem garante é o Doutor Mattew Wilson do Centro de Memória e Aprendizado do MIT (sigla em inglês para Instituto de Tecnologia de Massachesetts). A “descoberta” é comemorada pelo pesquisador, que garante: “Já se passou um século desde que Freud mostrou que os sonhos são um instrumento para compreender a natureza da cognição e do comportamento humano. Agora, aprendemos a mergulhar nos sonhos dos animais, o que nos permitirá aprender mais sobre nós mesmos”. No duro da cebola, os sonhos dos ratos poderão, no futuro, traduzir-se na cura do Mal de Alzheimer, por exemplo.


Sabe-se mais a respeito destes sonhos, além do fato de existirem, os cientistas americanos descobriram com o que sonham os ratos e os outros animais de modo geral: sonham que estão comendo, sonham, no caso das cobaias, com os labirintos em que estiveram perambulando durante o dia.
Quando ninguém ligava para isto, Freud insistia na importância do sonho humano. Um de seus casos mais conhecidos é exatamente o do Homem dos Ratos. Era um sujeito que sonhava que alguém sofria uma estúpida tortura em que ratos vorazes eram postos em seu corpo, digamos que pela porta menos nobre, se é que vocês me entendem. A partir destes sonhos, Freud matou a charada, o sujeito, um neurótico obsessivo, transitava entre um homossexualismo abafado e uma certa tara heterossexual.


Mas, agora, o Dr. Wilson investiga os sonhos dos ratos. Os ratos jamais investigariam os seus próprios sonhos e é exatamente isto que nos diferencia deles. Além de sonharmos, podemos fazer de nossos sonhos material para nos entender melhor e, ainda, podemos fazer dos sonhos dos ratos, das tartarugas e dos leopardos (e as árvores e as montanhas?) matéria prima para solucionar doenças que degradam o nosso trunfo que é a condição humana.


Mas ouso dizer, sem nenhuma base científica: o sonho no rato é apenas um resíduo de uma vivência que permaneceu em seu cérebro. Seria assim também em nós não fosse a nossa capacidade de desejar, de alguns mais, outros menos, a de usarmos da razão e, por fim, não fosse o fato de que podemos sonhar acordados. O sonho nos empurra para frente, nos faz pensar em construir uma casa, em ter filhos, em viajar para Angola, em estudar os ratos e os seus sonhos.


Os ratos sonham com queijo, como não são homens franceses ou mineiros, sonhar com queijo não tem nenhum outro significado além dele mesmo.
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