10.10.08

Igualdade

A crise é feia.

Para nós, que sabemos da de 29 por relatos de avôs e livros, é um treco quase incompreensível (como é que pode?). Ainda que, ao sabor do momento, existam muitos textos por aí que explicam como e por que o sistema funcionou (vem funcionando) assim - veja exemplos em http://www.opinativas.wordpress.com.

Uma coisa é certa, porém: para quem está, e sempre esteve, meio na pindaíba, ou seja, o sem poupança, aquele que paga suas contas mais ou menos em dia e busca socorro em parentes em melhor situação, a crise aproxima as pessoas. É verdade que os muito ricos se protegem, perdem um tantinho que nem chega a fazer cócegas, mas muitos perdem e perdem feio. E quem perde, e perde feio, acaba chegando perto de quem sempre teve muito pouco.

Para quem sonhou com a igualdade como resultado final de um processo de melhoramento de todos, essa forma contrária de alcançá-la é quase risível.

Fico pensando: será que o mundo, na realidade, vai seguir o modelo cubano, aquele em que todos têm o básico do básico do básico, nada mais do que o básico? Quase risível.
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