29.5.11

Guerra de mamona, filme francês

Quando em Passos não havia a Avenida da Moda, o córrego passava aberto bem atrás de minha casa, criando, dessa maneira, uma divisão e, portanto, uma fronteira imaginária. Éramos a turma da banda de cá contra a turma da banda de lá. Se falo contra é porque havia conflito, como é comum a zonas de fronteira, seja a que separa Israel da Cisjordânia, seja essa miúda que dividia a turma da Jaime Gomes da turma da Bonsucesso.
O diabo de estar numa guerra sem razão muito clara é que o contato mais próximo com o rival entorna o caldo, no caso, fazendo amigo o inimigo. Foi depois de atravessar o “corgo” voando em vara de bambu (eu acho, mas também invento um pouco) que conheci os filhos do Pixuxa: o Ronaldo, o Reginaldo e o Branco — os dois últimos com passagem relâmpago sobre a face da terra —, o João Pagliuso e o Rick Bell. Viramos amigos, mas antes deixei a pele dos caras muito bem marcada por umas boas estilingadas.
Mamoneira em foto de Maria Lídia Gonçalves Bueno, minha vizinha 
lá de Passos, da turma da Jaime Gomes, claro
Essa crônica não é um acerto de contas com o passado, sentei aqui para escrever sobre um filme: “O pequeno Nicolau” (“Le Petit Nicolas”), de Laurent Tirard, baseado nos livros de René Goscinny (autor de Asterix) e Sempé. Que filme, amigos, que filme.
É a história de uma garotada na França  de 1950/1960. O tal Nicolau está por ganhar um irmão, e seus colegas passam a alertá-lo sobre a tragédia iminente: ele será jogado às moscas, e não em sentido figurado. Tudo isso dá pano pra manga. Histórias, hilárias, vão se acumulando.
As crianças entram em confusões típicas da idade: criam poções mágicas, organizam gangues (daí ter me lembrado da guerra com mamona), bagunçam a casa em que os pais estão ausentes. Os adultos também são risíveis, particularmente quando se esbarram o mundo da família e o do trabalho. Há um jantar na casa de Nicolau, organizado pela mãe para ajudar o pai em suas pretensões na empresa, que não há quem não se contorça de tanto rir.
O filme não é politicamente correto, essa praga da atualidade. As crianças roubam carro, planejam sequestro, são mesmo da pá virada. Voltado (em tese) para os bem jovens, “O pequeno Nicolau” não sopra na direção deles nenhuma moral estruturante ou condena a infância por seus excessos. Tampouco estimula a transgressão. Em meio a inocente algazarra, a trama acaba por fixar o encontro entre um menino e o futuro homem que irá ser. Esse encontro, verdadeiro pulo do gato, é feito de forma poeticamente espantosa e dá grandeza ao filme.
Volto ao tempo da guerra de mamona. Ali por acaso me encontrei com o futuro homem que eu viria a ser? Nada disso. Para dizer a verdade, ali ficou aberta uma ferida daquelas: eu deveria ter acabado com aqueles caras da Bonsucesso. Rio dessa minha bobagen? Rio e, por outro lado, não rio. Falar da infância sempre me dá a medida exata da rapidez com que a vida passa, o que não é um fato que eu enfrente com gargalhadas.

4.5.11

O erro que nunca cometi

Brinco dizendo que meu único erro na vida foi ter nascido — alguns acreditam que digo a verdade e muitos concordam com a tese da minha brincadeira. Francamente, não passa de um exagero.
Exageros de certo modo garantiram nossa vida tal e qual a temos hoje. Não fossem eles, não passaríamos de uns 10 ou 12 Adões e Evas, filhos pingados à terra em momentos de tédio de Deus.
Exagero foi ter dado ouvido (asas ainda não demos) à cobra e comido a maçã que o diabo lustrou com o bafo. E ainda: guerrear por Helena; erguer a Muralha da China; pintar a Monalisa; revelar os sentidos dos sonhos... Não à toa cantamos: “Exagerado, eu sou mesmo exagerado, adoro um amor inventado” (Cazuza, Ezequiel Neves e Leoni).
Na verdade, e sem exagero, cometo erros de toda espécie. Chego mesmo à borda do pecado, mas parece que não passo daí. Veja se concorda.
Os dois primeiros mandamentos pregam que devemos amar a Deus sobre todas as coisas e não usar Seu nome em vão. Talvez eu queira discutir um pouco o que seja Deus, mas, pondo-nos de acordo sobre isso, respeito o divino sem outra discussão.
Sempre honrei pai, mãe e os outros legítimos superiores. Nunca matei. Nem roubei. Jamais levantei falsos testemunhos (tudo bem, uma ou outra vez para ver um dos meus irmãos em apuros com mamãe, mas já fui perdoado, era uma criança!).
Quanto a guardar domingos e festas de guarda, convenhamos, o mundo mudou, e eu mudei com o mundo.
Não entendo bem o que seria guardar castidade nos pensamentos e nos desejos. Temo ter ferido e ainda ferir tal preceito, não apenas no nível do pensamento e do desejo. Não sou mesmo um santo.
Mal redigido (ou mal traduzido), o último mandamento — não cobiçar as coisas do outro — se fia numa palavra ambígua: coisa. Se por ela devo entender os bens materiais das outras pessoas, não os cobiço, mas, aqui e ali, invejo-os. Nada muito grave, de fato são lampejos de inveja, que vêm e vão. Porém, se, como afirmam alguns, a mulher do outro está entre essas coisas, ô, dó de mim.
Leitor, acabo de me expor ao ferro e fogo do seu julgamento. Espero que olhe para si antes de dizer que, de fato, era melhor eu não ter nascido, que meu erro foi esse.
Nas vezes em que me vejo nervoso, quando não coço os olhos, assobio. Um gesto ou outro me confortam, com eles ganho tempo; e o tempo — recorro ao banal — opera milagre, com seu beneplácito pode-se reverter a mais desfavorável das situações.
Assobio enquanto escrevo e espero seu veredicto.
Fiat lux: assobiando encontro o erro que jamais cometi: nunca votei no Bolsonaro.
Isso compensa meus quase pecados?




28.4.11

A cidade cá dentro

Eu estava na casa dos Piassi arrastado por minhas irmãs e primas. Era menino, não tinha 15 anos.
Na roda que se formou, o violão pulava das mãos do Thales para as do Ita, das dele para as do Serginho do Dulce. Do Serginho, o violão passava para o João Eudes e, por fim, ficava com o Paulinho. Que sortudo fui! Viva eu, viva tudo, viva o Chico Barrigudo.
Cantavam canções românticas italianas, coisa do Thales. Em seguida, cantavam o que de melhor se fazia no Brasil. Em plena década de 1970, as composições tinham um pé na política e na contestação. Houve uma vez que Paulinho (o violão mais talentoso de todos, disso não resta dúvida) cantou a provavelmente censurada “Mordaça”, de Eduardo Gudin e Paulo César Pinheiro. (Em 2001, Fátima Guedes e Eduardo Gudin gravaram a música no álbum “Luzes da mesma luz”; da Dabliú Discos.) Nosso Paulinho morreu sem saber: na sala de sua casa, ele deu ao menino que nasceu e cresceu no Beco dos Aflitos as primeiras lições de estética.

Nosso poeta Barreto tem uma frase boa de usar aqui: “Sou o que sou porque vocês me o foram.” De fato, tornamo-nos isso ou aquilo por contingência. Um molecote começa a formar sua identidade estética e política, assim, por acaso.
 A minha escola, portanto, foram as rodas de música, nas quais eu só fazia escutar, pois, menino, pouco seria ouvido. O silêncio, vai saber, era meu parceiro e me ensinava, na moita, a escrever. Ou não ensinava a escrever coisa nenhuma, mas aguçava o meu desejo de traduzi-lo aos outros (o silêncio é uma língua). Só hoje, um pouco calejado, posso aventar essa hipótese.
Calejado! Estou naquela fase da vida em que me apego ao que já tenho. Novidades deixam-me um pouco atrapalhado. Parece que a isso chamam velhice. Não sei, mas deve ser, um dia ela chega. Ou melhor: é bom que chegue, caso contrário teremos passado muito brevemente nesse mistério que é a vida. Paulinho passou. Quero mais; ele também queria.
Há um perigo em apegar-se ao conhecido: tornar-me nostálgico. Fechar os olhos para o aqui e agora, mais ainda para o daqui a pouco e depois, e ficar na rabeira daquele velho e bom tempo que não volta mais; ê, lasqueira! Isso, sim, seria uma prisão — domiciliar, pela qual se pagaria a comida. Não, não falo em imobilidade, afirmo e firmo a base, o chão. Esqueço a nostalgia. Até aconselho uma nova cantora: Tulipa Ruiz. Um clique no Youtube e ela estará ao alcance de seus olhos e de seus ouvidos.
Ficar preso ao passado não seria honesto comigo nem com aqueles mestres desavisados, os tais que ensinavam como efeito colateral, não por obrigação catedrática. Falo da rapaziada da viola. Acrescento alguns professores, cujo tiro saiu pela culatra. A lição que guardo de gente como o Zé Leite, o Reinaldo Barbosa ou o Marcão não tem nada a ver com história, inglês e ciências, disciplinas que respectivamente ministravam no Polivalente. Foram meus mestres e me deram algumas dicas de como fugir do perigo. Às vezes, fujo cantando um bom repertório, ainda que desafinado.
Não me apresento apenas para anunciar minha velhice ou soprar as cinzas do Paulinho. Venho afirmar que Passos, despretensiosa, me deu régua e compasso para eu traçar minhas linhas nada retas, sem paralelos e, muitas, invisíveis por aí, por aqui, onde estou e aonde vou. Leio e pretendo escrever o mundo a partir da cidade que está dentro de mim. 


13.4.11

Com que eu eu vou?

Até recentemente éramos alegres e tristes, amados e odiados, risonhos e trombudos no espaço que estivesse ao alcance de nossos braços e de nossas mãos. Uma invenção como o avião criou a possibilidade de num sopro irmos de um lado ao outro, mas nossa atuação continuou presa ao espaço físico que ocupávamos. O telefone, antes do avião, criou a conexão à distância, mas tímida (por muito tempo, cara), limitada a dois atores, um em cada ponta. Na verdade, o telefone não passa de um instrumento para marcar encontro.
A internet — evoluindo do correio eletrônico aos bate-papos e além — muda isso. De certa forma, nossa presença virtual é um ensaio de um desejo humano antigo: a onipresença.
Nesse mundo, as redes sociais, como têm sido conhecidos o twitter, o orkut e o facebook, as mais populares, são um capítulo à parte. Recentemente, nesses terremotos de insatisfação que pegaram de cuequinha arriada e penico na mão os ditadores da Líbia (osso duro de roer), do Egito e de outros países, elas viraram peça de resistência política. Bastam-nos os dedos, esses subservientes criados de nossa mente, e de uma boa legião de amigos ou seguidores para mexer com o mundo. O resto, como sempre, é o poder de persuasão, a habilidade de convencer primeiro uns e depois outros e mais outros e outros, numa progressão infinita que promove a reunião de uma multidão na Praça Tahrir.

Essas redes, se podem ser úteis para derrubar ditadores ou badalar artistas, são também espaços festivos. Sim, festivos. Somos, muitas vezes, um monte de crianças estreando seus brinquedos novos. Há os que vivem administrando fazendas virtuais e outros que passam o tempo todo respondendo perguntas a respeito de seus amigos. Aliás, o termo amigo é forte para ser empregado nas redes, talvez o utilizado no twitter, seguidor, seja mais correto.
Para se ter exemplo da festa, dia desses, um publicitário de BH (Aroeira) postou algo assim: se o facebook fosse no Irã, seria faceburka. Uma brincadeira de menino. Em menos de 30 minutos, gente de vários lugares, eu inclusive, dava contribuição com outras ideias: se fosse de um amante de Bergman: facetofacebook; já se fosse cerveja escura facebock; ou, ainda, seria facebroca nas mãos de dentistas; de Wilson Sideral, fácilbook; de um cara falso fakebook; e, para terminar com poucos exemplos: faithbook para os religiosos.
Para muita gente, as redes sociais ferem de morte a individualidade. Sempre há o risco de nossos dados correrem de um cadastro para outro e virarem-se contra nós, e, como seduções comerciais, encherem nossa paciência e a memória de nossos computadores. No fundo, o que as empresas querem é conhecer o consumidor na sua intimidade. E o risco é exatamente esse: você ali achando que brinca ou planeja revoluções e os grandes conglomerados vasculhando seu jeitinho de ser.
Não sei se o medo dos que reclamam da agressão à individualidade tem a ver com essa enormidade dos interesses econômicos, são mais rasteiros: o problema é o vizinho descobrir o segredo do requentado que inebria a todos na hora da janta. Dentro de uma rede social, é possível usar algumas configurações de segurança mais ou menos confiáveis, nem todos sabem disso. Enfim, o medo não é de todo descabido, mas muitos são mesmo descuidados.
As redes sociais não substituem os locais de convívio, onde o velho olho no olho continua comandando a praça, inclusive a Tahrir. Ou, deixando a metáfora de lado, twitter, orkut e facebook são espaços para o eu-coletivo (o que brinca, o que promove revoluções, o que informa), o eu-eu mesmo precisa de amigos para tomar chope, para compartilhar alegrias e tristezas, precisa de amores para acalmar a fúria do corpo, para reproduzir-se ou mesmo para deixar-se ficar em sua companhia sereno, pleno, esquecendo-se de tudo o mais. 

29.3.11

Raymond Carver e outras pepitas mais

ESCLARECIMENTO: O texto que será lido a seguir está publicado no Jornal CNP Notícias, de Passos, Minas Gerais, que passou a circular em março de 2011.

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A jornalista Vera Pagliuso, essa incansável, convidou-me para escrever neste novo espaço. Dá as regras: fale de livro, música, cinema, arte em geral. Eu, logo eu? Sim, sou um leitor voraz, mas, como disse Virgínia Wolf e me ensinou José Castelo, sou um leitor comum, ou seja, leio sem estratégia. Não sou de guerra, meu negócio é briga de rua.

Começo a minha colaboração falando desse gigante, Raymond Carver. A Companhia das Letras lançou recentemente um volume com a nata dos contos do mestre americano. Título: 68 contos de Raymond Carver. O autor viveu parcos 50 anos, uma grande parte deles bebendo e uma maior ainda fumando. Consequência: morreu de câncer pulmonar. Encontramos uma biografia dessas em qualquer canto do mundo; em Passos mesmo morre-se de cirrose e câncer com uma facilidade sem fim.



A diferença é que Carver, não um bêbado como eu (ainda que eu não beba mais) ou um fumante como você, escreveu uma literatura contudente, reveladora de uma América que não é só aquela coisa toda de american way of life. Carver, americano, escarafuncha as dores de seu povo com ética de médico legista. Vale a pena lê-lo. E vale a pena ver o filme que Robert Altman fez condensando alguns de seus contos: Short Cuts (1993) — obra-prima sobre obra-prima. De todo jeito, preparem-se. Carver efetivamente escreve na entrelinha, o bom é o que imaginamos e o que, no texto, está calado.

Mudando de pato pra ganso. Tempos atrás, essa frase, dita um pouco diferente: de pato pra peru, transformaria esse pequeno texto em artigo político, pois – sim, amigos – os partidos em Passos eram apelidados de Pato e Peru. Grilo escreveu peça sobre isso. Gilda poderia recuperá-la e levá-la ao teatro. Bem, depois, na ditadura, os partidos eram MDB e Arena, mas, na terrinha, o MDB era o Manda-Brasa, bem melhor, muito mais de acordo com o propósito do partido de varrer a ditadura do país, assim como agora o querem os egípcios. A diferença é que não tínhamos twitter naquele tempo.

Enfim, passa no Rio um filme a que desgraçadamente deram o nome de Minhas mães e meu pai, tradução de The kids are all right. Nomes! Traduções! Vamos ao filme. É a história da nova família. Duas mulheres casadas têm dois filhos adolescentes (cada uma gerou um deles com sêmen de um único e desconhecido doador). Sabe cumé adolescente, né? Quiseram conhecer o pai biológico e daí em diante dá de acontecer muita coisa. Boa narrativa, com uma ou outra escorregada. No entanto, a gente sai do cinema e bate aquela dúvida: família é tudo igual, independente de seu formato? Ou é justamente o fato de várias pessoas dividirem o mesmo teto, sob certa hierarquia, o que torna as famílias as mesmas, seja a de pai e mãe, a de pai e pai ou a de mãe e mãe? Ansioso pela resposta que o filme parece inclinado a buscar. De todo jeito, o que me deixou com mais uma pulga atrás da orelha é que uma das mães era a provedora, a que trabalhava (médica bem-sucedida) e pagava as contas. A outra, uma doidivanas (não muito, na verdade). O que é isso? Má caracterização de personagem ou reflexo de que é aí mesmo que a coisa não muda?

Prestem atenção, queridos, na interpretação das atrizes desse filme. Que show! Ficha completa. Diretora: Lisa Cholodenko. Elenco: Julianne Moore, Annette Bening, Mia Wasikowska, Josh Hutcherson e Mark Ruffalo.

10.3.11

Em gotas

Era janeiro. O dia estava quente, e eu saía do trabalho no adiantado da hora. Trabalho perto da Lapa, o ponto efervescente da boemia carioca. Duas garotas, jovens e lindas, prontas pra noite, vinham em sentido contrário ao meu. Quando nos aproximamos, ouvi de uma delas: "Não, não estou com ele, não dá pra ficar com um cara que tem a bunda maior do que a minha."
Um amigo meu não perde os discursos que os presidentes americanos fazem no início do ano (State of Union). Ele colocou no Facebook várias passagens do que o Obama falou este ano. Entre tantas coisas, o presidente disse que, a partir de 2011, nenhum americano estará proibido de servir ao país que ama por conta de quem ama, um recado direto aos homossexuais, ainda que não só a eles. Mr. Obama continua compromissado com muitas bandeiras da liberdade individual. Viva ele!
Nos EUA, anunciaram a fabricação e a comercialização de refrigerantes à base de maconha, que, em alguns estados, está liberada quando auxiliar nos tratamentos de saúde. Se bem entendo, uma lei federal considera de todo modo a erva maldita. Detalhes, detalhes, o importante é que com esse novo refrigerante será resolvida uma velha pendenga: pais e mães farão questão de comparecer às festas infantis.
O Botafogo tomou uma decisão correta: contratou um lateral direito de Passos, minha cidade natal e mineira; Lucas, o nome dele. À direita, a Estrela Solitária vai. Se o ano não for bom, o problema estará no centro ou na esquerda. Na verdade não quero que nem o Botafogo nem o Brasil tenham problema com a esquerda. É hora da figa.
Por falar na minha cidade, fui jovem nela. Naquele tempo, o capítulo da novela que passava hoje aqui passava lá uma semana depois. Chegávamos à moda um pouco depois de todos, o que nos tornava imediatamente fora de moda — no entanto éramos felizes, ou, melhor dizendo, não éramos infelizes por conta do atraso.
Rio, essa cidade cosmopolita, não vê shows da Ná Ozzetti e de seu irmão, o Dante, do Carlos Careqa, da Consuelo de Paula, da Andreia Dias e do nobre senhor Luiz Tatit. Por que será?

Num ninho de mafagafos, há sete mafagafinhos. Quem conseguir desmafagar esses sete mafagafinhos bom desmafagador será. Saudades do meu pai.
Fui ao Ceará. Comi lagosta. Namorei. Passeei em lugares realmente lindos. Não bastasse isso, tive a sorte de conhecer escritores pra lá de interessantes, entre eles os contemporâneos Pedro Salgueiro, Tércia Montenegro e Flávio Paiva, além do já falecido Moreira Campos, este, com certeza, um contista mestre. Amei o Ceará.
Coisas que só comi na infância: fudge de chocolate e coco de macaúba.
O mundo deu um passo atrás. Se isso é recuo para posterior avanço, não estou certo. O fato é que, pelo menos no Rio de Janeiro, muitos homens e algumas mulheres voltaram a usar chapéu.
Depois de assistir ao filme “Minhas mães e meu pai” (péssima tradução para “The kids are all right”), estou matutando o seguinte: formar famílias a partir de cônjuges homossexuais não muda em nada a velha e carcomida família.
Infeliz daquele que nunca leu Raymond Carver. 

26.2.11

Por que os jovens bebem álcool?

A manchete do jornal argentino La Nacion aguça a minha curiosidade sobre qual seria a resposta do autor, Alejandro Rozitchner, filósofo, escritor, entre outras competências. Poderia ter lido apenas a primeira frase, onde reside a resposta, tão simples quanto a pergunta. No entanto, a partir desse pressuposto, complexas questões vão emergindo das profundezas das motivações humanas, numa narrativa profunda sem ser inacessível, densa sem ser hermética, o que possibilita uma reflexão frente a esse que é um caso de saúde pública, especialmente no Brasil. Estatísticas, a cada tanto, se atualizam colocando-nos diante de um grave problema nacional: o abuso no consumo do álcool entre os jovens e suas trágicas consequências.
Com a autorização do cronista, segue, traduzido, o texto na íntegra e o link para a página de Alejandro Rozitchner.
Maria Balé

  
Por que os jovens bebem álcool?
Por Alejandro Rozitchner - Especial para o jornal La Nacion - Jueves 24 de febrero de 2011
Pelas mesmas razões que os adultos. Nem tanto pelo sabor, mas, sim, pelo efeito. Há uma certa hipocrisia social sobre este tema, que nos impede ver claramente que o álcool “pega” e que nisso reside o seu sucesso. É uma droga, uma droga legal, porém uma droga. E ainda mais: uma droga encantadora, sensacional, socializante, divertida, acessível, barata, geralmente manejável. Os garotos (e garotas) tomam álcool para sentir a liberdade e a distensão que nós, adultos, tanto gostamos de sentir ao beber cerveja, vinho, champanhe  ou uísque. O problema é que, enquanto os adultos podem controlar o seu consumo, por experiência e porque a maturidade aumenta a capacidade de autoconhecimento e autocontrole, os jovens  não avaliam corretamente os perigos e podem se prejudicar severamente .
O consumo adolescente de álcool  é um dos temas mais preocupantes para os pais que adoram os seus filhos, um tema que tira o sono e gera uma compreensível angustia. O problema merece ser abordado séria e imaginativamente.
Porque os adultos não conseguem evitar que os jovens se matem bebendo?
Há varias respostas possíveis:
·         Porque não se preocupam verdadeiramente por eles e acreditam que dizer o que deve ser feito equivale a educar (o que é falso: educar é ajudar a crescer, não enunciar de forma distante o que está certo e o que está errado, e, ainda, com raiva ou decepção).
·         Porque não sabem lidar com os jovens quando eles começam a transformar-se em adultos (talvez porque tampouco encontraram para si mesmos as respostas que os jovens estão procurando e pedem com um desespero que comove tudo o que os rodeia).
·         Porque, ainda que digam que não se deve beber demais, eles mesmos o fazem (da mesma forma em que muitos adultos de hoje dizem com indignação “os jovens não leem”, esquecendo que eles mesmos jamais serão vistos com um livro nas mãos).
·         Porque a complexidade do tema supera os recursos espontâneos de uma paternidade bem intencionada e pede esforços de comunicação ou empatia que esses adultos não possuem.
Que efeito tem o álcool como droga?
Como toda droga, o álcool possui um efeito sobre a personalidade e não somente sobre o corpo genérico. Há quem fica eufórico, quem fica tonto, quem tem sonolência, quem vira extrovertido e chega perto da pessoa de quem gosta, quem se torna agressivo e briga até com os amigos que mais ama.
O efeito geral poderia ser descrito como o da desinibição: torna mais leves as coisas que parecem difíceis, dá fólego a quem se sente asfixiado por uma situação, mostra novas perspectivas de vida, dá coragem a quem se sente pra baixo, mas também aumenta a sensação de desespero de quem tem tendência a ela, etc. São boas essas coisas? Digamos que entre adultos responsáveis este consumo pode ser considerado positivamente como relaxante ou como um remanso em dias exigentes, mas isto requer a capacidade de manter-se com doses razoáveis.
Por que alguns jovens chegam ao coma alcoólico e outros não?
Deve existir razões circunstanciais incontroláveis, mas também é verdadeiro e comprovável que os adolescentes que não sabem se cuidar são, em geral, aqueles que não estão sendo bem queridos, ou seja, aqueles que não sentem o contato, a proximidade, a intimidade com adultos compreensivos e maduros (há muitas pessoas com aparência adulta, mas é só aparência).
Os jovens que correm mais perigos são aqueles que não têm adultos emotivamente próximos que os ajudem a se entender e a entender o mundo, sempre complexo, que os humanos têm que enfrentar. Porque um grande amor que não saiba gerar essa proximidade não é mais que uma emoção remota, escondida, quase diríamos um amor não realizado. Não é o caso de dizer quanto a gente ama os filhos, mas de fazer as coisas às que esse amor nos compromete e de arriscar-nos por ele.
A melhor forma de ajudar um adolescente a enfrentar as dificuldades que apresenta o álcool (a necessidade de encontrar uma medida, o poder de suportar a pressão dos pares, a possibilidade de evitar a solução rápida às angustias excessivas próprias do crescimento) é falar com ele, das suas emoções e das próprias (ou seja, que os adultos não se situem em posição superior como se tivessem  tudo já resolvido e que também se abram ao contato).
Nada pode salvar os jovens dos perigos do mundo, mas a intimidade bem vivida com adultos afetivos é o mais parecido a um poder protetor que os acompanhará sempre.
Como fazer, então, para resolver o problema?
Devemos levar em consideração que o álcool acompanha, desde sempre, a civilização humana, em todas as partes do mundo.  São boas as restrições de venda a menores de idade, controles estritos nos botecos etc. Porém, não são a solução completa.
Para poder proteger os jovens dos perigos de um consumo excessivo ou de um hábito precoce é necessário:
1.       Entender  por quê o efeito do álcool é tão procurado (não simplificar neste ponto, que é chave, numa névoa moral irreal).
2.       Dar informação realista sobre os perigos, ou seja, ensinar a beber (não misture, não dirija, tome muita água, pare enquanto é tempo, restringir-se não é de pessoa débil, ao contrário).
3.       Ajudá-los a aprimorar o controle das suas ações (ou seja, ajudá-los a amadurecer, abordando não somente o tema do álcool, mas também as outras questões que os preocupam).
4.       Ajudá-los a liberar a sua capacidade criativa e produtiva, o que equivale a:
5.       Ajudá-los a amadurecer, porém, mediante a uma capacitação na luta pelas suas aspirações, porque, uma insistência no dever e, sobretudo, um dever sem sonhos, jamais resultou saudável para ninguém.
Para tudo isso, os adultos têm que aprender:
A falar com os jovens (a falar, não a agredí-los ou ensiná-los desde uma posição superior duvidosa; falar é compartilhar), e controlar a eles mesmos e aos seus próprios excessos.
Um último ponto: se os adultos vivem se queixando de tudo, depreciando o mundo, acreditando que crítica é inteligência (que não é, nem nunca foi), então, eles não devem se surpreender com a apatia dos seus filhos. Que mundo entregar aos seus filhos, como cenário de uma vida possível? Adolescente que não aprende a voar se embebeda até o desmaio.


18.1.11

Choveu



Nada de escrever maldizendo Deus, senhor da chuva e do homem.

Quero apenas esboçar uma oração à criança que não virá a ser isso ou aquilo.

Ao velho que não poderá morrer com os filhos a seu redor.

À mulher que não irá parir o feto que carrega. E ao filho que não rebentará.

Ao pai que não deixará de beber.

Ao jovem que cai doido de crack no colo da morte.

Ao casal que leva o amargo das carícias interrompidas. (Abraçado ao álbum de casamento.)

À tia que não se casará. Ao bombeiro soterrado.

Quero improvisar uma canção para, à moda de Drummond, fazer dormir uns e acordar outros.

Fazer dormir os que morreram inconformados. Os que foram embora sem acreditar no amor. Os que se viram melhor mortos do que vivos. Nada no além lhes dirá respeito. (Isso não necessariamente é ruim.)

Despertar os anjos que andavam perdidos entre nós. Os mendigos que louvavam a segurança do verão serrano. Os pobres que conquistaram uma casa como exércitos conquistam terras. E os bichos, que não têm dimensão da morte. É deles o reino dos céus.

Quero depositar meu silêncio sobre as fotografias da tragédia.

Quero fechar meus olhos à idiotice dos pragmáticos.

Ah, criança que seria alfabetizada este ano, vai sem saudade dos homens.

Aposentado pelo INSS, vai sem saudade dos homens.

Gigolô, craque de bola, ás do skate, menina que gostava de menina, baderneiro de rua, filatelista, fã da Carmem Miranda, gótico, turminha do baile funk, vão, mas vão sem saudade dos homens.

Aqueles cujo convite de missa circulará nos jornais. Aqueles cujo convite de missa circulará de boca em boca. Aqueles que não terão missa, mas serão lembrados em cultos. Aqueles que não terão nenhuma homenagem religiosa. Por fim, aqueles que não serão encontrados. Vão sem saudade dos homens.

Vão sem saudade dos homens.

Sem nenhuma.

Eu fico.

Triste, minha única vontade é mijar no pé do poder.

11.1.11

Dois tempos

Fim do tempo


Quando enforcarmos o tempo na árvore do silêncio, mamãe, antes de nascer, servirá torradas aos seus descendentes, enquanto uma menina, quilômetros de séculos depois da segunda vinda de Cristo, passará esmalte no corpo sem função procriadora.
Seremos alegria e também um cêntimo furado do nada, aquilo que cheira à felicidade ligeira dos drogados bastante rodados. Olharemos pela perspectiva da viúva branca. Cantaremos como carpideiras depois do enterro do próprio filho. Deitaremos sobre a relva de cetim e de lá sairemos pinicando, com a pele marcada por comichões da mentira. Esquentaremos, no bafo, o sol já cansado.
Relógios continuarão a marcar o que não se saberá ao certo o que seja. Alguns dirão: marcam o silêncio. Outros: maculam o silêncio. E outros ainda: essas peças são a entranha das paredes. Uma coisa só, o tempo e o espaço.
Não abençoaremos as crianças, pois terá passado a distância em que precisávamos de religião. A morte, por isso mesmo, usufruirá sua pensão vitalícia gastando seus dias, justo eles, que não farão mais sentido: um lixo como tantos outros esquecido nos dicionários. Molharemos o sono com a lágrima da eternidade.
A bola correrá para cima. O rio chupará gelo. As gaivotas voarão sob o chão. E as formigas terão seu valor como brocado usado para tampar a vergonha da escuridão. Ninguém dará a mão ao despenhadeiro. A criança zero quilômetro embalará a lucidez do sono, cantando-lhe murmúrios de marré deci.
Quando enforcarmos o tempo na árvore do silêncio, Nero regará Roma até submergi-la. Alheios, surfistas brincarão com as ondas de fogo do Vesúvio. Um poeta analfabeto rirá da aurora. E a aurora, ela mesma, rirá escarlate da cara do céu de brigadeiro de chocolate. Não se saberá mais o que é criação e o que é acaso. Seremos arquétipos de deuses em desuso. Fumaremos cachimbo de melancolia e, com isso, nos largaremos ao riso: frouxos de tanto tentar matar a distância.

2011: prognósticos


O ano que se inicia terá nuvens no céu, com o que podemos afirmar que o céu não despencará em nossas cabeças mais ou menos sensatas. Nós ficaremos aqui embaixo, e o capeta, caso exista, mais embaixo ainda.
Morrerá um padre. Morrerá um pastor. Ninguém reportará a morte de uma flor, mesmo daquela cuja cor flor nenhuma jamais ousou ter. Um comprimido estancará a pior das dores de cabeça, porém não será em 2011 que conheceremos a invenção da pílula contra a dor causada pelo fim de um amor.
O preço da carne oscilará. O preço do açúcar oscilará. Só mesmo o preço de viver a vida correta continuará estável, naquele nível altíssimo induzido pelo excesso de demanda em um mundo de facilidades e seduções.
Crianças sem infância. Infantilizados perpétuos. Lisos no bisturi. Enrugados na esbórnia. Todos na parada dos dias de 2011.
A lua pisará o céu distraída. A lua presenciará uma série de crimes. A lua não iludirá os ratos.
Não sei quantos crédulos viverão 2011 como a véspera do fim do mundo. Todavia sei que o mundo acabará para muitos, crédulos ou não, em 2011.
Lâmpadas serão trocadas. Ministros serão trocados. Alianças serão trocadas. Trocaremos olhares como sinal de interesse, porém com menos frequência do que no passado. Os “emoticons” serão a coqueluche da sedução.
Nascerá um Caio. Nascerá uma Anita. Nascerão um Paolo e um John. Também uma Ingrid. E ainda um Frederico. Alguns não conhecerão o pai. Outros, a mãe. Incerta avó bordará uma fralda de pano que ninguém usará.
2011 será um ano inesquecível. Ou quase.

5.1.11

Barcerias

Aos amigos do Zé Feio e da Cantina (bares que não existem mais, pouco importa, pois quem escreveu o poema também já não bebe).


Uns vão à missa,
                                   nós ao bar.
                                   Eles comem hóstia,
                                   nós torresmo.
                       
                                                           Pai nosso que estais no céu...
                                                           Bar nosso dai-nos a paz!

                                   Uns vão malhar,
                                   nós ao bar.
                                   Eles correm os pés,
                                   nós os olhos.

                                                           Um, dois, três, quatro...
                                                           Uma, duas, a terceira, a quarta!

                                   Eles passando ao nosso lado,
                                   nome do pai, corrida acelerada:
                                   "nossos filhos não serão vossos,
                                   nossas filhas não serão vossas,
                                   não".
                                   Nós coração de galinha,
                                   cerveja, cana pura,


                                   inchaço do fígado:
                                   "vossos filhos já são nossos,
                                   huuuuuum!".

                                   Uns voltam ao lar,
                                   nós ao bar.
                                   Eles assistem televisão,
                                   nós, aos sonhos.

                                                           Será que acabam juntos?...
                                                           Beijos, purrinha.

                                   Uns voltam à mesmice,
                                   nós ao bar.
                                   Eles ao mesmo de ontem,
                                   nós ao mesmo de amanhã (?).

                                                           Despertador, ovos cozidos,
                                                           Talvez, talvez...

                                   Viva! gritam quando presos somos.
                                   O delegado nos forçando a ressaca que não temos.
                                   Viva! na cela há sempre uma birita.
                                   Canções aflitas pra se cantar nós temos.

                                   Uns vão tratar-se,
                                   nós ao bar.
                                   Eles eternos,
                                   nós efêmeros.

                                   Uns vão matar-se,
                                   nós ao bar.
                                   Eles infelizes,
                                   nós lá, lá, lá, lá.



(publicado no Suplemento literário de Minas Gerais, em 19/03/1988. Fac-símile abaixo)


30.12.10

Dois e dois: quatro - Ferreira Gullar


Dois e dois: quatro

Como dois e dois são quatro
Sei que a vida vale a pena
Embora o pão seja caro
E a liberdade pequena
Como teus olhos são claros
E a tua pele, morena
como é azul o oceano
E a lagoa, serena

Como um tempo de alegria
Por trás do terror me acena
E a noite carrega o dia
No seu colo de açucena

Sei que dois e dois são quatro
Sei que a vida vale a pena
Mesmo que o pão seja caro
E a liberdade pequena.

Brisa - Manuel Bandeira


Brisa

Vamos viver no Nordeste, Anarina.
Deixarei aqui meus amigos, meus livros, minhas riquezas, minha vergonha.
Deixaras aqui tua filha, tua avó, teu marido, teu amante.

Aqui faz muito calor.
No Nordeste faz calor também.
Mas lá tem brisa:
Vamos viver de brisa, Anarina.

5.12.10

Mais ou menos tuiteiras

Altinha como estava, já já pisaria em ovos e não tardaria muito para ver-se frita.
Conheço um sujeito. É pouco. Também é mentira.
Passou o rodo. Criou um rolo. O chão, de um susto, molhou-se rubro.
Não é corrupto; o dízimo é caro.
Nenhum filme revela o que o cego desvê.

Só há uma maneira de passar a perna no ladrão: em visita íntima.
Se fosse pássaro, invejaria o voo terrestre dos homens.
Dou um pernilongo para não entrar na briga, mas não confio muito no método.
Abortaram as ideias na última campanha presidencial. Na frente das crianças.
Caco cafônico: Vivi viu a vida vil, todavia olvidou o que ouviu.
Mafiosa: vender a mãe ao irmão.
Música é um troço danado para nos manter presos ao passado.
Poesia é um troço danado para nos fazer perder a noção do tempo.
Alguns deixarão de ler um livro eletrônico por medo de choque.
Foi linda. Não é mais. O álbum com fotos antigas passou a fazer sala às visitas.
Foi forte. Não é mais. Bêbado, se acha.
O galo. O gato. O cachorro. O pombo. O rato. Domésticos.
A mulher. Os filhos. A faxineira. A síndica. Selvagens.
À deriva, vou feito barco. Sem mar ou rio.
Entrou num ambiente estranho. Abordou uma estranha. Estranhou a si mesmo.
Com quantos paus se faz uma garoa?
Vão-se os anéis, ficam os medos.
A situação da situação é não sair da situação numa situação dessas.
Quem morre do susto não sabe como é bom viver sem soluçar.
Nasceu. Cresceu. Procriou. Envelheceu. Ao fazer o balanço de tudo, concluiu: comeu poucas... empadas.
Não sei bem ao certo, mas o certo – bem, sei não – parece que não se sabe ao certo o que seja. 
Número de caracteres não é documento.